das semanas que estive doente ou da promessa não cumprida
Durante semanas estive muito doente. Passei muito mal. Muita grana com remédios. Um dia de terror na emergência do IPSEMG. Trabalhei doente muitos dias. Me desrespeitei. Era ruim levantar. Fiz uma promessa que agradeceria quando melhorasse e que não reclamaria de acordar cedo pra ir ao trabalho quando voltasse a me levantar sem passar mal.
Não cumpri minha promessa, nos primeiros dias fiquei feliz de levantar sem passar mal e ir trabalhar no meu "estado" normal, mas não agradecil. Depois me acomodei e esqueci o tanto que foi ruim quando estive doente. Esqueci que foi ruim e lembrei da promessa não cumprida. E nesse esquecer e lembrar, esquecer e lembrar, lembrei: Obrigada meu Deus por estar bem de saúde.
da Gentileza que gera Gentileza ou do comum in (comum)
Eu gosto de ver a pessoa que está conduzindo o metrô. Talvez por pura nostalgia ou hábito de entrar no ônibus e "passar"pelo motorista. Eu vi o condutor, tinha uma mulher na cabine, a moça do microfone que anuncia as estações. O metrô estava cheio.
Neste dia, uma adolescente levantou-se para uma mulher grávida, com filho pequeno no colo, assentar-se.
A adolescente só se levantou após um cutucão de sua mãe, mas o fez de bom grado. Ao sentar-se, a mulher grávida tirou um potinho de balas, em forma de bolinhas coloridas para o filho que estava em seu colo.
Daí uns instantes cutucou a adolescente, que já estava de pé e pediu que ela desse balas à menininha vestida de barbie que estava no banco do lado oposto do vagão.
-mulher grávida: "pode dar pra ela por favor... ela tá "oiando"... tá com vontade..."
A adolescente pegou o potinho, levou até o outro lado, abaixou o potinho e ofereceu pra little Barbie... ela não aceitou...sacudindo a cabeça com vergonha...
A adolescente voltou e devolveu o potinho pro menino no colo. Ele comeu se lambuzando.
A mãe dele, a mulher grávida sacudiu a cabeça e disse:"tadinha... tá oiando a bala mas
ficou com vergonha né?" Ofereceu novamente, ao longe, apontando pro potinho e perguntando "cê qué?"
A menina barbie escondeu o rosto com vergonha.
Desci do metrô e o que mais me surpreendeu foi o fato de ter ficado surpresa. Isso não deveria ser o corriqueiro?
do ataque Freudiano ou da compra da valise
Minha mãe tinha uma valise de couro marrom. Linda. Desde criança acho a coisa mais chique do mundo ter uma valise, e sempre lembro da valise marrom de Diva da minha mãe. Ela não tem mais a valise, há muitos anos ela deu pra alguém, ou jogou fora. Sempre prometo a mim mesma que me daria uma valise. Nunca tive coragem de pagar o valor que custava. Jurei pra mim mesma que a próxima viagem que fizesse não iria sem a valise. Não achava a valise que gostaria de comprar, bati muita perna atrás dela. Exitei em comprar, não queria gastar dinheiro. Tentei me convencer que uma valise era bobagem e que nunca tive valise e não deixei de viajar por causa disso. Sabia que viajaria mesmo sem valise. Achei. Era ela. Comprei. Me condenei por gastar R$ 70,00 numa valise... Me absolvi. Eu merecia isso. Pode parecer a maior bobagem, pode parecer nada pras pessoas. Agora eu tenho a minha valise, a valise de Diva. Demorei muito tempo, pra me dar tão pouco...um pouco que é muito.
do que eu quero pra mim ou das crônicas de um futuro que não existiu
As pessoas que são minhas amigas sabem de três coisas básicas sobre mim: 1) Não sei falar mentira; 2) Eu amo rosa e 3) Eu quero ser mãe. Quanto ao item número 3, este está me rondando ultimamente. Planejei chegar aos 30 com uma casa e com uma filha- Melissa. Isso não aconteceu. Os 31 se aproximam e isto não aconteceu. Tudo o que eu busquei foi tendo como foco isto, Melissa. Sem delongas sobre estas questões, mas só pontuando que não aconteceu porque outras coisas não aconteceram antes dela. Um bom emprego, "um pai", o apartamento... Agora muitas amigas estão grávidas, ou já tiveram filhos. Pessoas que nunca se imaginaram mães ou que nunca ninguém imaginou. Quando vejo as futuras mamães sempre falo: quero uma barriga dessa pra mim. Claro que desejo o melhor pra elas, tanto desejo que queria estar na mesma situação. É estranho sentir que estou vivendo um futuro que não existiu. É estranho pensar que pode ser que nunca aconteça.
da amizade ou dos princípios legais que regem a relação entre amigos
Muitos questionamentos surgem quando se fala de amizade. Nestes últimos dias tenho me perguntado se há categorias de amigos. Com o amigo "x" encontro sempre um ombro amigo; já com o amigo "y" adoro ir pra balada; o amigo "z" é aquele com quem bebo uma cerveja; o amigo "beta" é companheirão de academia; o amigo "alfa" ouve meus desabafos como ninguém. Nunca quis acreditar que pudesse ser assim, mas algumas situações me colocaram essas possibilidades.
Não quis seguir essa linha de raciocínio, não pode ser assim, ou pode? Isso me machucou. Tenho certeza que estou em falta com as minhas amigas, mas quero ser uma amiga xyzbetaalfa e ... para todas. Não por achar que sou melhor que ninguém. Mas por achar que amizade é isso. Senão minhas relações ficariam no "coleguismo". Colegas tenho muitas, amigas muito poucas. E essas são as que eu vou encontrar quando eu precisar e as que vão me encontrar quando precisarem.
Delas que vou me lembrar quando for ao lugar que curtem ir, ouvir as músicas de que gostam, indicar pra uma vaga de emprego, mandar um e-mail de correntes que acho que vão gostar. De quem recebo tais e-mails. De quem recebo informação de cursos, palestras, sites e e-mails múltiplos de encontros. Encontros dos quais eu eu adoraria estar, e com pesar e sensação de quem está perdendo muito não pude comparecer, principalmente nos últimos. Dessas amigas eu imagino até as frases. "A Priscilla é foda... "; "ow a Pri mandou uma mensagem, não vai poder vir...surgiu uma parada de última hora... "; "Porra carai, cansei de marcar as coisas, e o povo pula fora de última hora... ";
E são essas amigas que mesmo achando que eu sou foda, falado os "porra-carai" da vida, estarão lá. As minhas amigas estarão lá. E não venham tentar me convencer que há categoria de amigos, que amizade pode ser segmentada, tal qual o saber foi segmentado em disciplinas. A amizade, não o coleguismo, a amizade real é plena- não é perfeita, jamais será- mas é plena porque é uma escolha, é o que difere o valor que as pessoas tem na nossa vida. É o que difere amigos de colegas.
das férias ou do descanso obrigatório
Estou, definitivamente, obrigada a descansar. Viajo do dia 14 ao dia 24. Terei mais uma semana de férias em BH depois da viagem. Com saudade e imenso amor, deixo um beijo pras amigas que sempre passam aqui neste cantinho e me comprometo a marcar o próximo encontro depois que voltar.
2 comentários:
Super boa viagem, querida.. aproveite muito.
Bjks
não se culpe, sinto saudades, estamos sumidas, mas sempre seremos nós! em qq tempo, ok? tb não concordo com a segmentação de amigas... amigo é amigo, fédaputa é fédaputa! cola comigo ou não cola! te amo lora! bjão
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